A formação acadêmica em terapia ocupacional e as concepções sobre o processo saúde‑doença

Teresa Cristina Brito Ruas, Fernanda Castilho Leite, Marco Akerman, Heloisa Ravanini Gagliardo

Resumo


Introdução: Diante de uma cultura biológica e organicista, as concepções sobre saúde e doença dialogadas no ensino superior, ainda, são influenciadas pela lógica sintomática e medicalizante. Objetivo: Diante desse contexto, os objetivos deste estudo foram o de analisar tais concepções em uma experiência de ensino‑aprendizagem do curso de terapia ocupacional da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André. Métodos: Como princípio metodológico central, optou‑se pela experiência do aluno, enfocando‑o como sujeito ativo de reflexões/narrativas diante da prática supervisionada. As narrativas foram coletadas por meio de diários de campo individuais e categorizadas em unidades temáticas. Resultados: Percebeu‑se, majoritariamente, que o processo saúde‑doença foi compreendido como polar, um se contrapondo ao outro. Enquanto a saúde foi a expressão de bem‑estar completo/equilíbrio, a doença foi o oposto. Poucos estudantes consideraram a categoria das necessidades sociais em saúde na determinação do processo saúde‑doença na infância. Conclusão: Conclui‑se que essa experiência proporcionou aos alunos a compreensão de que, para o enfrentamento das necessidades em saúde infantil no Capuava, é necessário analisar saúde e doença, primeiramente, como processos vividos, sentidos e contextualizados com a própria história, cultura, subjetividade e inter‑relacionados com os determinantes/necessidades sociais apresentados pelas crianças, sua familia e o entorno.


Palavras-chave


educação superior; recursos humanos em saúde; terapia ocupacional.

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v40i3.798

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